Interromper o uso de um anticoagulante ou antiplaquetário antes da extração de um dente não é apenas desnecessário, como também muito arriscado. O cardiologista Dr. Alexander Nosikov fez esse alerta a médicos e pacientes em seu perfil no Facebook. Sua posição foi motivada pelo aumento de pedidos de consulta sobre a conveniência de interromper o uso desses medicamentos antes da extração de um dente.
São medicamentos que previnem a formação de coágulos sanguíneos. Anticoagulantes — por exemplo, rivaroxabana, apixabana, edoxabana, dabigatrana ou varfarina reduzem o risco de acidente vascular cerebral e trombose em condições como fibrilação atrial ou tromboembolismo venoso. Agentes antiplaquetários — como a aspirina, clopidogrel, prasugrel ou ticagrelor — são frequentemente usados após a colocação de stent coronário ou em casos de alto risco cardiovascular.
O risco de sangramento durante a extração dentária é pequeno, enquanto o risco de trombose, caso o tratamento seja interrompido incorretamente, pode ser catastrófico.

O principal problema é que o risco de sangramento durante a extração dentária geralmente é controlável, enquanto o risco de trombose, caso a terapia seja interrompida incorretamente, pode ser catastrófico. A Associação Americana de Odontologia afirma que, na maioria dos pacientes, não é necessário alterar a terapia anticoagulante ou antiplaquetária antes da intervenção odontológica, e o sangramento geralmente é controlado com medidas locais.
Este é exatamente um dos pontos principais da posição do Dr. Nosikov: a suspensão desses medicamentos não é inofensiva. Em um paciente com stent, por exemplo, a suspensão de um antiplaquetário pode levar à trombose do stent – um bloqueio agudo e potencialmente fatal de um vaso coronário. Em um paciente com fibrilação atrial, a suspensão inadequada de um anticoagulante pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral embólico. As consequências podem ser morte ou incapacidade permanente.
Cobertura temporária com heparina — não é uma prática padrão para todos os pacientes.
É importante esclarecer que as heparinas de baixo peso molecular, conhecidas pelos pacientes por nomes comerciais como Clexane ou Fraxiparina, não são um "substituto" universal. Elas não substituem os antiplaquetários. E com os anticoagulantes orais diretos, a chamada terapia de transição — uma "cobertura" temporária — com heparina — não é uma prática padrão para todos os pacientes. O Colégio Americano de Cardiologia também enfatiza que, em pacientes em uso de anticoagulantes orais diretos, geralmente não há indicação para terapia de transição com heparina ou heparina de baixo peso molecular, pois o período sem anticoagulação, quando necessário, é curto.
Em procedimentos odontológicos, a decisão depende de muitos fatores: quais medicamentos o paciente está tomando, por que os está tomando, quando o stent foi colocado, se ele tem fibrilação atrial, histórico de acidente vascular cerebral, doença renal, alto risco de sangramento, que tipo de extração será realizada e qual anestesia será utilizada. Portanto, não existe um protocolo único e seguro que se aplique a todos.
As diretrizes atuais consideram a maioria dos procedimentos odontológicos menores como intervenções de baixo risco. Uma revisão de 2024 observou que, para a maioria desses procedimentos, a terapia antiplaquetária ou anticoagulante pode ser continuada sem interrupção, e medidas hemostáticas locais — como pressão, suturas, agentes hemostáticos tópicos ou enxaguante bucal com ácido tranexâmico — são utilizadas conforme a necessidade.
Alguns pacientes podem precisar pular uma dose ou adiar a administração de uma dose.

Isso não significa que uma mudança na terapia nunca seja feita. Em alguns pacientes e para procedimentos de maior risco, pode ser necessário pular uma dose, atrasar uma dose ou fazer uma pausa mais longa. Mas isso deve ser avaliado previamente por um médico que conheça o risco cardiovascular do paciente. As diretrizes do SDCEP também enfatizam a necessidade de uma avaliação específica de acordo com o medicamento, o procedimento e o risco de sangramento.
A recomendação prática para os pacientes é clara: não interrompa o uso de anticoagulantes ou antiplaquetários por conta própria antes da extração dentária. Se o dentista ou cirurgião acreditar que existe risco de sangramento, deve solicitar uma consulta pré-operatória com um cardiologista, na qual o procedimento, o risco esperado de sangramento e o tipo de anestesia devem ser descritos. Somente então o cardiologista poderá fornecer uma recomendação por escrito sobre se a terapia deve ser continuada, alterada temporariamente ou se o procedimento deve ser adiado.
A extração dentária geralmente não é uma intervenção de emergência. Portanto, a abordagem mais segura é tomar a decisão em tempo oportuno — não no dia do procedimento e não por meio de uma mensagem rápida, mas após uma avaliação médica completa.
Editora Ina Dimitrova

